domingo, 27 de setembro de 2015
sábado, 12 de setembro de 2015
Cobrança no SUS é desastre e lembra a ditadura, diz ex-ministro da Saúde
Para José Gomes Temporão, projeto soa mais como uma provocação do governo em relação à saúde pública
SÃO PAULO
- FOLHAPRESS
A proposta de cobrança no SUS é uma ideia desbaratada que não resolve nada. Politicamente é um desastre e conceitualmente é um equívoco: é radicalmente oposta ao que está na Constituição. Significa mais uma tentativa de colocar sobre as famílias brasileiras o ônus do financiamento da saúde.”
A análise é do médico José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde (2007-2010) no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Atual diretor-executivo do Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde, ele diz ter ficado em estado de choque quando leu sobre o pacote encaminhado pelo Senado ao Planalto, que recebeu elogios do ministro da Fazenda.
"Quando vi proposta,achei que estava delirando, voltando aos tempos da ditadura militar,como as de Leonel Miranda [ministro de 1967 a 1969],que propunha a privatização de toda a saúde brasileira", diz Temporão, à reportagem.
Para ele, o projeto soa mais como uma provocação do governo em relação à saúde pública. Não há ninguém no setor que sustente uma proposta que é absolutamente nefasta para a saúde no país. Lembra que, há uma semana, um congresso do setor pediu o aprofundamento no financiamento à saúde.
Na sua visão, a questão do financiamento da saúde pública necessita mudanças estruturais. Tem a ver com financiamento da seguridade social, com uma reforma fiscal e tributária, com imposto sobre grandes fortunas, com impostos sobre produtos que afetam negativamente a saúde pública, como fumo, bebidas, pesticidas, motocicletas.”
Também crítico à ideia de pagamento no SUS, o economista Carlos Ocké-Reis, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), identifica na proposta mais um movimento no sentido da mercantilização da saúde pública no país.
“Introduzir a prática de compra e venda de serviço dentro do SUS significa realinhar os incentivos econômicos dos prestadores. A literatura mostra que se acaba criando uma dupla porta e se oficializa uma qualidade diferenciada: quem paga tem acesso mais rápido e melhor dentro do sistema”, declara.
Autor de SUS, o Desafio de Ser Único (Fiocruz, 2012), Ocké-Reis, 48, afirma que a experiência mostra que as políticas de co-pagamento são insuficientes e geram receitas irrisórias para o financiamento da saúde. O objetivo é refrear a demanda. É mais uma política de contenção de custos do que de apropriação de receitas.
Na sua opinião, a cobrança é ineficaz como política de arrecadação e representa “um completo desastre para a equidade, pois amplia desigualdades”.
Nesse momento de aumento no desemprego e redução da massa salarial, a tendência é de que as famílias tenham dificuldade em permanecer nos planos de saúde, observa. Para ele, o governo deveria adotar medidas de reforço nas políticas sociais e de saúde, e não o contrário.
“O governo deveria entender a política de saúde como uma política anticíclica, fazendo com que as famílias gastassem menos com saúde”, defende. Gasto público maior com saúde também ajudaria a reduzir a inflação do setor de serviços, com impacto na taxa total. “Reduzir os gastos das famílias com saúde, por meio de oferta pública, é outra forma de ataque à inflação”, ressalta.
O economista enfatiza que o setor de saúde no país é cada vez mais concentrado, oligopolizado e internacionalizado. A taxa de retorno tem sido extremamente atrativa. Não é à toa que o governo recentemente abriu esse mercado. Há interesse das operadoras internacionais no Brasil.
De acordo com ele, entre 2003 e 2011, o lucro líquido na área cresceu duas vezes e meia em termos reais, já descontada a inflação. É um setor extremamente rentável, cuja margem líquida de lucro, no agregado, está entre 10% e 20%”, diz.
Ocké-Reis identifica na própria abertura a estrangeiros sinais do retrocesso na saúde. “Isso escancara um setor que nem está regulado internamente. Não se discute os efeitos dessa internacionalização do ponto de vista do padrão de qualidade, dos prestadores médicos, da relação do púbico e do privado. Não se analisa seus efeitos sobre a internacionalização no balanço de pagamentos”, alerta.
Ele fala de outro aspecto na questão do financiamento ao setor: a renúncia fiscal dada aos planos de saúde. Conta que acabou de concluir um trabalho com a Receita, apurando um total de R$ 10,5 bilhões de renúncia fiscal (R$ 6,5 bilhões na pessoa física e R$ 4 bilhões na pessoa jurídica).
“Isso poderia ser reduzido e o dinheiro ser transferido para o SUS na atenção primária e baixa complexidade”, sugere.
Já o ex-ministro Temporão ressalta o fato de o custo privado ser a parcela maior no financiamento total da saúde. “É o contrário da Inglaterra, que tem um sistema universal, onde 85% do total são gastos públicos. Aqui 52% são privados. Isso afeta principalmente as famílias mais pobres, que têm que pagar para acesso a tratamentos e medicamentos que não conseguem obter na rede pública. Uma proposta desbaratada como essa [da cobrança] agrava essa situação”, ressalta.
Para ele, há uma contradição central. “Temos um sistema que constitucionalmente se obriga a prover saúde para todos os brasileiros, de maneira universal e igualitária, com uma base de financiamento no qual a maior parte é privada. Sem uma profunda mudança nessa estrutura de gasto, ou seja, sem uma radical ampliação do gasto público, não vamos sair desse impasse”, afirma.
[Eterno retorno] é a lei de um mundo sem ser, sem unidade, sem identidade. (Deleuze)
Eterno Retorno é um conceito desenvolvido pelo filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900), considerado por ele próprio um dos seus pensamentos mais aterrorizadores. Foi durante um passeio em 1881 que Nietzsche refletiu sobre os sentidos das vivências em alternâncias que se “repetem”. Embora em várias de suas obras encontramos pistas do que seria o Eterno Retorno, é na sua obra A Gaia Ciência (1882), um dos mais belos livros antes de Nietzsche sofrer das baixas de sua saúde, que ele nos brinda com a idéia mais nítida do que seria esse conceito:
“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!“ Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?” (aforismo 56)
Parece que o Eterno Retorno defende a tese de que pólos se alternam nas vivências numa eterna repetição. Criação e destruição, alegria e tristeza, saúde e doença, bem e mal, belo e feio,… tudo vai e tudo retorna. Porém, esses pólos não se opõem, mas são faces de uma mesma realidade, isto é, um complementa o outro, são contínuos de um jogo só. Alegria e tristeza são faces de uma única coisa experienciada com grau diferente.
A temporalidade não está presente no Eterno Retorno, a realidade para Nietzsche não tem uma finalidade nem um objetivo a cumprir, e por isso as alternâncias de prazer e desprazer se repetem durante a vida. – O Eterno Retorno não se reporta a uma demarcação temporal cíclica e exata, mas às nuances de vivências que se complementam e dão o colorido da vida.
O devir não ocorre de um modo exatamente igual, mas são variações de sentidos já vivenciados, faces de uma mesma realidade. A alegria e a tristeza que senti não serão iguais no amanhã, mas voltarei a experimentar esses estados em suas diferentes variações.
A indagação que Nietzsche nos faz através do aforismo acima não se trata de uma negação da vida, pelo contrário, nos remete a uma afirmação da vida. Não posso crescer se não experimento declínio e vice-versa, são faces de uma mesma moeda sem demarcação de tempo e exatidão, de tal modo, Nietzsche nos aponta que “os homens não têm de fugir à vida como os pessimistas, mas como alegres convivas de um banquete que desejam suas taças novamente cheias, dirão à vida: uma vez mais”. – Eis aqui uma bela resposta de Nietzsche ao “pessimismo” de Schopenhauer.
Se tudo retorna – o prazer e o desprazer, a dor e o deleite, a alegria e o sofrimento – queremos mesmo viver à eternidade onde nada de novo irá acontecer além de vivências com nuances variadas de uma mesma realidade? – Não é fácil dar uma resposta a indagação que o Eterno Retorno nos faz. Mas apenas você pode respondê-la, e ninguém poderá fazer isso por você, uma resposta pronta e acabada não faz sentido, da mesma forma que a “verdade” e a “mentira” não encontram acomodação no pensamento de Nietzsche. Talvez decorra daí o sentido perturbador do conceito.
Nietzsche nos dá o Eterno Retorno como uma saída, que consiste em buscar a criação na destruição; só nessa complementação que podemos transcender e reafirmar a vida em detrimento dos valores que envenenaram a humanidade e negaram a vida, sobretudo, aqueles simbolizados na cruz.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Cultura dos surdos
Os surdos, além de serem indivíduos que possuem surdez, por norma são utilizadores de uma comunicação espaço-visual, como principal meio de conhecer o mundo em substituição à audição e à fala, tendo ainda uma cultura característica.
No Brasil eles desenvolveram a LIBRAS, e em Portugal, a LGP. Já outros, por viverem isolados ou em locais onde não exista uma comunidade surda, apenas se comunicam por gestos. Existem surdos que por imposição familiar ou opção pessoal preferem utilizar a língua falada.
Progresso na cultura surda
Ao longo dos anos, as pesquisas interdisciplinares sobre surdez e sobre as línguas de sinais, realizadas no Brasil e em outros países, tem contribuído para a modificação gradual da visão dos surdos, compartilhada pela sociedade ouvinte em geral.
Esses estudos têm classificado os surdos em duas categorias:
- Os portadores de surdez patológica, normalmente adquirida em idade adulta;
- E aqueles cuja surdez é um traço fisiológico distintivo, não implicando, necessariamente, em deficiência neurológica ou mental; antes, caracterizando-os como integrantes de minorias lingüístico - culturais; este é o caso da maioria dos surdos congênitos.
O fato de integrarem um grupo lingüístico-cultural distinto da maioria lingüística do seu país de origem, equipara-os aimigrantes estrangeiros. Porém, o fato de não disporem do meio de recepção da língua oral, pela audição, coloca-os em desvantagem em relação aos imigrantes, com respeito ao aprendizado e desenvolvimento da fluência nessa língua. Essa situação justifica a necessidade da mediação dos intérpretes em um número infinito de contextos e situações do quotidiano dessas pessoas.
Devido ao bloqueio auditivo, seu domínio da língua oral nunca poderá se equiparar ao domínio da sua língua materna de sinais, ainda que faça uso da leitura labial, visto que, essa técnica o habilita, quando muito, a perceber apenas os aspectos articulatórios da fonologia da língua. Daí sua enorme necessidade da mediação do intérprete de língua de sinais.
No caso específico dos surdos brasileiros, cuja língua materna de sinais é a LIBRAS, os intérpretes que os assistem são chamados de “Intérpretes de LIBRAS”.
No Brasil, existem pelo menos duas situações em que a lei confere ao surdo o direito a intérprete de LIBRAS:
- nos depoimentos e julgamentos de surdos (área penal);
- e no processo de inclusão de educando os surdos nas classes de ensino regular (área educacional).
Devido as constantes modificações e progresso neste campo, nas concepções de ensino de língua de sinais, atualmente, tem-se dado ênfase ao mecanismo de aprendizado visual do surdo e a sua condição bilíngüe-bicultural. Contudo, o surdo ébilíngüe-bicultural no sentido de que convive diariamente com duas línguas e culturas: sua língua materna de sinais(cultura surda) e língua oral( cultura ouvinte), ou de LIBRAS, em se tratando dos surdos brasileiros.
Deficiência auditiva
O termo deficiente auditivo tem sido largamente utilizado por profissionais ligados à educação dos surdos. O uso da expressão deficiente auditivo, já foi muito criticado refletindo uma visão médico-organicista. Nela, o surdo é visto como portador de uma patologia localizada, uma deficiência que precisa ser tratada, para que seus efeitos sejam debelados.
Alguns fatores podem afetar o processo de aprendizagem de pessoas surdas, como por exemplo: o período em que os pais reconhecem a perda auditiva, o envolvimento dos pais na educação das crianças, os problemas físicos associados, os encaminhamentos feitos, o tipo de atendimento realizado, entre outros.
Embora os aspectos médico, individual e familiar ampliem o universo de análise sobre o fenômeno, nos chama a atenção para a necessidade de vê-los sob uma perspectiva sócio - cultural.
Todas as investigações atuais têm chamado a atenção para a multi-determinação da surdez e para a adequação do emprego do termo surdo, uma vez que é esta a expressão utilizada pelo surdo, para se referir a si mesmo e aos seus iguais. É muito importante considerar que o surdo difere do ouvinte, não apenas porque não ouve, mas porque desenvolve potencialidades psico - culturais próprias. Somos todos pessoas diferentes.
Surdo-mudo
Provavelmente a mais antiga e incorreta denominação atribuída ao surdo. O fato de uma pessoa ser surda não significa que ela seja muda. A mudez é uma outra deficiência.
Compreendendo o mundo surdo
Muitas crianças surdas que se tornam adultos surdos dizem que o que mais desejavam era poder comunicar-se com os pais.
Por anos, muitos têm avaliado mal o conhecimento pessoal dos surdos. Alguns acham que os surdos não sabem praticamente nada, porque não ouvem nada. Há pais que super protegem seus filhos surdos ou temem integrá-los no mundo dos ouvintes. Outros encaram a língua de sinais como primitiva, ou inferior, à língua falada. Não é de admirar que, com tal ignorância, alguns surdos se sintam oprimidos e incompreendidos.
Todos sentem a necessidade de ser entendidos. Aparentes inabilidades podem empanar as verdadeiras habilidades ecriatividades do surdo. Em contraste, muitos surdos consideram-se “capacitados”. Comunicam-se fluentemente entre si, desenvolvem auto-estima e têm bom desempenho acadêmico, social e espiritual. Infelizmente, os maus-tratos que muitos surdos sofrem levam alguns deles a suspeitar dos ouvintes. Contudo, quando os ouvintes interessam-se sinceramente em entender a cultura surda e a língua de sinais natural, e encaram os surdos como pessoas “capacitadas”, todos se beneficiam.
Escutar com os olhos
A chave para uma boa comunicação com uma pessoa surda é o claro e apropriado contato visual. É uma necessidade, quando os surdos se comunicam. De fato, quando duas pessoas conversam em língua de sinais é considerado rude desviar o olhar e interromper o contato visual. E como captar a atenção de um surdo? Em vez de usar o nome da pessoa é melhor dar um leve toque no ombro ou no braço dela, acenar se a pessoa estiver perto, ou se estiver distante, fazer um sinal com a mão para outra pessoa chamar a atenção dela. Dependendo da situação, pode-se dar umas batidinhas no chão ou fazer piscar a luz. Esses e outros métodos apropriados de captar a atenção dão reconhecimento à experiência dos Surdos e fazem parte da cultura surda. Para aprender bem uma língua de sinais, precisa-se pensar nessa língua. É por isso que simplesmente aprender sinais de um dicionário de língua de sinais não seria útil em ser realmente eficiente nessa língua. Muitos aprendem diretamente com os que usam a língua de sinais no seu dia-a-dia — os surdos. Em todo o mundo, os surdos expandem seus horizontes usando uma rica língua de sinais.
Língua: Conjunto do vocabulário de um idioma, e de suas regras gramaticais; idioma. Por exemplo: inglês, português, LIBRAS.
Linguagem: Capacidade que o homem e alguns animais possuem para se comunicar, expressar seus pensamentos.
Língua de Sinais: É a língua dos surdos e que possui a sua própria estrutura e gramática através do canal comunicação visual, a língua de sinais dos surdos urbanos brasileiros é a LIBRAS, em Portugal é a LGP.
Cultura Surda: Ao longo dos séculos os surdos foram formando uma cultura própria centrada principalmente em sua forma de comunicação. Em quase todas as cidades do mundo vamos encontrar associações de surdos onde eles se reúnem e convivem socialmente.
Intérprete de Língua de Sinais: Pessoa ouvinte que interpreta para os surdos uma comunicação falada usando a língua de sinais e vice-versa.
Bebês de pais surdos
“Assim como os bebês de pais ouvintes começam a balbuciar com cerca de sete meses ... , os bebês de pais surdos começam a ‘balbuciar’ com as mãos imitando a língua de sinais dos pais”, mesmo sendo ouvintes.- Jornal londrino The Times.
A professora Laura Petitto, da Universidade McGill, em Montreal, Canadá, é da opinião de que os bebês nascem com sensibilidade a ritmos e padrões característicos a todos os idiomas, incluindo a língua de sinais. Ela disse que os bebês ouvintes que têm “pais surdos que sabem sinalizar, gesticulam de maneira diferente, seguindo um padrão rítmico específico, distinto de outros movimentos com as mãos. . . . É um balbucio, mas com as mãos”. Os bebês expostos à língua de sinaisproduziram dois tipos de movimento com as mãos, ao passo que os que conviviam com pais ouvintes produziram apenas um tipo. Os pesquisadores usaram um sistema de rastreamento de posição para registrar os movimentos das mãos dos bebês na idade de 6, 10 e 12 meses.
Como agir diante de um surdo
Muitas pessoas não deficientes ficam confusas quando encontram uma pessoa com deficiência. Isso é natural. Todos podem se sentir desconfortáveis diante do "diferente". Mas esse desconforto diminui e pode até mesmo desaparecer quando existem muitas oportunidades de convivência entre pessoas deficientes e não-deficientes.
Ao tratar uma pessoa deficiente como se ela não tivesse uma deficiência, estaríamos ignorando uma característica muito importante dela. Dessa forma, não estaríamos nos relacionando com ela, mas com outra pessoa, que não é real.
A deficiência existe e é preciso levá-la na sua devida consideração. Neste sentido torna-se de grande importância não subestimar as possibilidades, nem as dificuldades e vice-versa. As pessoas com deficiência têm o direito, podem e querem tomar suas próprias decisões e assumir a responsabilidade por suas escolhas.
Ter uma deficiência não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior do que uma pessoa não deficiente, ou que esta não possa ser eficiente. Provavelmente, por causa da deficiência, essa pessoa pode ter dificuldade para realizar algumas atividades, mas por outro lado, poderá ter extrema habilidade para fazer outras coisas. Exatamente como todos.
A maioria das pessoas com deficiência não se importa de responder perguntas a respeito da sua deficiência ou sobre como ela realiza algumas tarefas. Quando alguém deseja alguma informação de uma pessoa deficiente, o correto seria dirigir-se diretamente a ela, e não a seus acompanhantes ou intérpretes. Segundo professores, intérpretes e os próprios surdos, ao se tomar alguns cuidados na comunicação com o surdo, confere-lhe o respeito ao qual ele tem direito.
Algumas dicas importantes
- Não é correto dizer que alguém é surdo-mudo. Muitas pessoas surdas não falam porque não aprenderam a falar. Muitas fazem a leitura labial, e podem fazer muitos sons com a garganta, ao rir, e mesmo ao gestualizar. Além disso, sua comunicação envolve todo o seu espaço, através da expressão facial-corporal, ou seja o uso da face, mãos, e braços, visto que, a forma de expressão visual-espacial é sobretudo importante em sua língua natural.
- Falar de maneira clara, pronunciando bem as palavras, sem exageros, usando a velocidade normal, a não ser que ela peça para falar mais devagar.
- Usar um tom normal de voz, a não ser que peçam para falar mais alto. Gritar nunca adianta.
- Falar diretamente com a pessoa, não de lado ou atrás dela.
- Fazer com que a boca esteja bem visível. Gesticular ou segurar algo em frente à boca torna impossível a leitura labial. Usar bigode também atrapalha.
- Quando falar com uma pessoa surda, tentar ficar num lugar iluminado. Evitar ficar contra a luz (de uma janela, por exemplo), pois isso dificulta a visão do rosto.
- Se souber alguma língua de sinais, tentar usá-la. Se a pessoa surda tiver dificuldade em entender, avisará. De modo geral, as tentativas são apreciadas e estimuladas.
- Ser expressivo ao falar. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de tom de voz, que indicamsentimentos de alegria, tristeza, sarcasmo ou seriedade, as expressões faciais, os gestos ou sinais e o movimento do corpo são excelentes indicações do que se quer dizer.
- A conversar, manter sempre contato visual, se desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou.
- Nem sempre a pessoa surda tem uma boa dicção. Se houver dificuldade em compreender o que ela diz, pedir para que repita. Geralmente, os surdos não se incomodam de repetir quantas vezes for preciso para que sejam entendidas.
- Se for necessário, comunicar-se através de bilhetes. O importante é se comunicar. O método não é tão importante.
- Quando o surdo estiver acompanhado de um intérprete, dirigir-se a ele, não ao intérprete.
- Alguns preferem a comunicação escrita, alguns usam linguagem em código e outros preferem códigos próprios. Estes métodos podem ser lentos, requerem paciência e concentração.
Em suma, os surdos são pessoas que têm os mesmos direitos, os mesmos sentimentos, os mesmos receios, os mesmossonhos, assim como todos. Se ocorrer alguma situação embaraçosa, uma boa dose de delicadeza, sinceridade e bom humor nunca falham.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Portal do Surdo
FIQUE SABENDO... "Esclerose Múltipla tem aliado digital no tratamento". Por Grupo Gazeta de Comunicação. FONTE: www.gazetadigital.com.br, em 25/08/2015.
A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crônica autoimune que atinge o sistema nervoso central e que tem uma prevalência, no Brasil, de 15 casos por 100 mil pessoas.
Com o advento das novas tecnologias, os cuidados com a saúde têm ganhado importantes aliados. De acordo com o relatório "mHealth" e "Wearables 2015" (Mobile Ecosystem Forum - organização global de regulação do comércio de aparelhos e serviços mobile), no último ano houve um crescimento na adoção de aplicativos (apps) de saúde e medicina em todo o mundo.
Sendo um aumento de 15% e 10%, respectivamente, em relação ao ano anterior. Um exemplo de destaque nesta era digital é o Cognifit, uma ferramenta inteligente utilizada para minimizar alguns dos sintomas da esclerose múltipla (EM) e que pode ser acessada via computador, tablet ou smartphone.
Este é um dispositivo que tem como função principal treinar e estimular os aspectos cognitivos dos indivíduos portadores da doença. Os pacientes têm à disposição jogos que permitem avaliar o estágio do comprometimento da doença e suas habilidades cognitivas. Além disto, eles podem compartilhar os resultados com o seu médico, contribuindo no acompanhamento da esclerose múltipla.
A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença crônica autoimune que atinge o sistema nervoso central e que tem uma prevalência, no Brasil, de 15 casos por 100 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde. A EM se caracteriza por afetar o sistema nervoso central provocando dificuldades motoras, sensitivas, cognitivas, visuais, de coordenação motora e até de controle de esfíncteres, causando impacto direto no dia-dia do paciente e indireto para seus cuidadores.
Com sérias consequências, a EM é pouco falada e ainda desconhecida para muitos brasileiros. O assunto voltará à tona em todo país a partir do dia 31 deste mês, na próxima novela das nove da Rede Globo, "A Regra do Jogo". A novela terá como protagonista um portador de esclerose múltipla, interpretado pelo ator Alexandre Nero que após sofrer com visão turva, desmaios e surtos em várias cenas, toma conhecimento de seu diagnóstico, situação vivida por muitos indivíduos acometidos pelo problema. A história permitirá que o público entenda um pouco mais sobre a doença e a realidade dos pacientes com EM.
A professora de neurologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ) e chefe do centro de referência em Esclerose Múltipla do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ, Dra. Soniza Vieira Alves Leon, explica "estimular suas atividades cognitivas, e principalmente a memória, pode contribuir para os pacientes ficarem mais atentos e ativos, o que pode impactar a autoestima e confiança.
Por consequência, eles conquistam mais qualidade de vida e é possível perceber os benefícios deste manejo na vida prática destes indivíduos".
Entre as habilidades estimuladas, estão: memória visual, auditiva, contextual e de trabalho em longo/curto prazo, velocidade de processamento, foco, planejamento, reconhecimento, tempo de resposta, velocidade, atualização, memória não verbal, percepção visual, coordenação olho-mão, inibição, recontextualização, atenção dividida e distância estimada. Todos os exercícios visam aprimorar a cognição. O Cognif é uma tecnologia reconhecida pela comunidade científica e foi amplamente investigada pela área de neurociência com importantes universidades e instituições no mundo, como: University Of Washigton, Florida International University, University of Illinois, Université Paris Descartes, entre outras.
Apesar da doença ainda não ter cura e sua causa ser desconhecida, a esclerose múltipla tem tratamento. De acordo com a Federação Internacional de Esclerose Múltipla existem 2,3 milhões de pessoas com a doença no mundo. Embora este seja um número expressivo, há muitos outros casos não diagnosticados. A entidade afirma que a incidência é duas vezes superior em mulheres. No Brasil, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla estima que 35 mil pessoas sejam acometidas por este problema.
Quanto antes, o paciente receber o diagnóstico, melhor será a resposta ao tratamento. "Uma das opções terapêuticas é o uso de imunomoduladores, como os interferons beta 1-b, beta 1-a e acetato de glatiramer, que diminuem a intensidade dos surtos e o intervalo entre eles, agindo sobre os mecanismos imunológicos e minimizando a atividade inflamatória. Novos tratamentos como natalizumabe, fingolimode, dimetilfumarato, teriflunomida e alemtuzumabe também foram aprovados pela AnvisaA no Brasil.
Em paralelo ao tratamento medicamentoso, temos as plataformas digitais que podem favorecer a inserção social destes pacientes. Hoje, a maioria dos acessos à informação é via internet ou utiliza algum mecanismo que se comunique com este ambiente. É cada vez mais comum, os pacientes estarem envolvidos em um universo digital", destaca a especialista.
O diagnóstico da Esclerose Múltipla é complexo e deve ser feito por especialistas com o objetivo de se estabelecer o melhor manejo terapêutico para cada caso individualmente.
Saber é melhor que acreditar
TERÇA-FEIRA, 27 DE MAIO DE 2014
Saber é melhor que acreditar
Saber, ou procurar saber, é muito menos estressante do que acreditar cegamente no que outros dizem. Parece mentira, mas é verdade. Na Idade Média, cometas eram vistos como anunciadores de desastres e doenças, gerando pânico, saques e mortes nos vilarejos. Quando a epidemia de AIDS começou nos anos 80, ela foi vista por muitos como uma punição cósmica a homossexuais e usuários de drogas, resultando em um clima de pessimismo que marcou uma geração. Hoje sabemos que cometas são corpos celestes atraídos pela gravidade da Terra, prevemos (e gostamos) quando eles aparecem. Sabemos também que a AIDS é causada por um vírus que surgiu mais recentemente, desenvolvemos medicamentos para tratar a infecção, e em breve teremos vacinas disponíveis. O conhecimento tranqüiliza, e se torna parte do nosso dia a dia, imperceptivelmente. Isso é o que a ciência faz de melhor pela humanidade.
A vacinação é um conceito já bem estabelecido. Contudo, em 1998 um artigo foi publicado na revista The Lancet sugerindo que havia uma ligação entre a vacina tríplice viral – MMR (sarampo, caxumba e rubéola) e autismo. Apesar de ter sido rejeitado pela comunidade cientifica, esse estudo recebeu uma grande publicidade, gerou medo, e por causa disso milhares de crianças deixaram de ser vacinadas contra essas doenças, que podem resultar em problemas neurológicos, surdez ou morte. O que poucos sabem é que este estudo foi retratado - retirado do Lancet - e os autores foram inclusive condenados por fraude. Infelizmente, ainda hoje esses resultados (inventados) são evocados para gerar dúvidas sobre vacinação.
A comunidade cientifica pressionou para a retirada do artigo não por ideologia, mas porque foi testar a idéia do artigo e esta não foi reproduzível. Uma característica importante da nossa profissão é a dúvida. A certeza absoluta não deixa espaço para fazer mais perguntas e portanto não permite que a gente aprenda mais. E sempre existe mais para aprender. Sempre se pode fazer progresso. Duvidar é bom. Portanto, quando surge um movimento ou afirmativa como essa da vacina e autismo, a resposta do cientista é : 1) seria possível? e 2) qual a evidencia existente que apóia essa hipótese? Invariavelmente, se houver evidencia esmagadora contra uma afirmativa, ela vai ser rejeitada. Se não houver evidencia, a hipótese vai ser testada, rigorosamente. A evidencia é soberana, e a reprodutibilidade entre estudos, sejam na Inglaterra, Brasil ou Japão, fundamental.
Atualmente na Nigéria, nos Camarões, no Paquistão e na Síria existe um alerta de poliomielite, uma doença que estava prestes a ser erradicada graças à vacinação. Esses países deixaram de vacinar por causas políticas, corrupção, guerra. A não vacinação é hoje particularmente mais perigosa porque viagens internacionais são tão mais comuns, ampliando o risco de disseminação do vírus. Vacinas funcionam sob um conceito que chamamos de rebanho: quanto mais pessoas imunizadas em uma população, menos chance há de propagação de um patógeno. Um governo que deixa de vacinar é irresponsável e criminoso. E se você recusa uma vacina, não é, como você pode pensar, uma escolha pessoal, com efeitos restritos. Você está matematicamente ampliando a chance de outros indivíduos se infectarem.
As vacinas disponíveis não tem efeitos colaterais graves, e é biologicamente impossível ficar gripado com a vacina da gripe, ao contrário do que muitas pessoas falam. A sensação gripal que alguns experimentam após a vacinação se deve à ativação do sistema imune, nada mais. Procure o site da Organização Mundial da Saúde (WHO ou OMS), ou do Centro de Controle de Doenças infecciosas, o CDC. Se você não lê inglês, você pode ir ao site do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Imunização, da Sociedade Brasileira de Imunologia.
Duvide, mas procure saber.
Cristina Bonorino é Professora Titular de Imunologia da PUCRS e Pesquisadora 1C do CNPq.
Texto publicado no Caderno PROA, Jornal Zero Hora, em 18 de maio de 2014
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