Este semestre está passando tão rápido e eu tenho aprendido tanto , a cada aula é um aprendizado diferente , uma descoberta nova.
Quando pensei Saúde Coletiva acreditava que seria algo voltado mais para o cuidado individual , agora entendi que o cuidado é geral , coletivo, estou desconstruindo minha maneira de pensar o SUS , agora estou aprendendo sua realidade que é tão abrangente e ao mesmo tempo muito pessoal e particular.
Deixarei um texto para juntos refletirmos a escuta que é tão importante na carreira do Sanitarista.
Relato de um Caso
“Saí do consultório e caminhei pelo corredor lateral
até a sala de espera, cartão de identificação à mão,
para chamar a próxima paciente. Já era final de uma
exaustiva manhã de atendimento no Setor de Atenção
à Saúde do Adulto da unidade básica. Ao longo do percurso
fiquei imaginando como estaria o humor da
paciente naquele dia – o meu, àquela hora, já estava
péssimo. Assim que a chamei, D. Violeta
veio, uma vez
mais, reclamando da longa espera, do desconforto, do
atraso de vida que era esperar tanto tempo. Eu, que
usualmente nesse momento, sempre repetido, buscava
compreender a situação da paciente, acolher sua
impaciência e responder com uma planejada serenidade,
por alguma razão nesse dia meu sentimento foi
outro. Num lapso de segundo tive vontade de revidar,
nesse primeiro contato, o tom rude e agressivo de que
sempre era alvo. Quase no mesmo lapso, senti-me surpreso
e decepcionado com esse impulso, que me pareceu
a antítese do que sempre acreditei ser a atitude
de um verdadeiro terapeuta, seja lá de que profissão
ou especialidade for. Essa vertigem produziu em mim
muitos efeitos. Um deles, porém, foi o que marcou a
cena. Ao invés da calculada e técnica paciência habitual,
fui invadido por uma produtiva inquietude, um
inconformismo cheio de uma energia construtora.
Após entrar no consultório com D. Violeta, me sentar
e esperar que ela também se acomodasse, fechei o
prontuário sobre a mesa, que pouco antes estivera
consultando, e pensei: ‘Isto não vai ser muito útil. Hoje
farei com D. Violeta um contacto inteiramente diferente’.
Sim, porque me espantava como podíamos ter repetido
tantas vezes aquela mesma cena de encontro (encontro?),
com os mesmos desdobramentos, sem nunca
conseguir dar um passo além. Inclusive do ponto de
vista terapêutico, pois era sempre a mesma hipertensa
descompensada, aquela que, não importa quais drogas,
dietas ou exercícios prescrevesse, surgia diante
de mim a intervalos regulares. Sempre a mesma hipertensão,
o mesmo risco cardiovascular, sempre o mesmo
mau humor, sempre a mesma queixa sobre a falta
de sentido daquela longa espera. A diferença hoje era
a súbita perda do meu habitual autocontrole; lamentá-
vel por um lado, mas, por outro lado, condição para
que uma relação inédita se estabelecesse.
Para espanto da minha aborrecida paciente não
comecei com o tradicional ‘Como passou desde a última
consulta?’. Ao invés disso, prontuário fechado, caneta
de volta ao bolso, olhei bem em seus olhos e disse:
‘Hoje eu quero que a senhora fale um pouco de si
mesma, da sua vida, das coisas de que gosta, ou de que
não gosta... enfim, do que estiver com vontade de falar’.
Minha aturdida interlocutora me olhou de um modo
como jamais me havia olhado. Foi vencendo aos
poucos o espanto, tateando o terreno, talvez para se
certificar de que não entendera mal, talvez para, também
ela, encontrar outra possibilidade de ser diante
de mim. Dentro de pouco tempo, aquela mulher já idosa,
de ar cansado— que o característico humor acentuava,
iluminou-se e pôs-se a me contar sua saga de
imigrante. Falou-me de toda ordem de dificuldades que
encontrara na vida no novo continente, ao lado do seu
companheiro, também imigrante. Como ligação de
cada parte com o todo de sua história, destacava-se
uma casa, sua casa— o grande sonho, seu e do marido—
construída com o labor de ambos: engenheiros e
arquitetos autodidatas. Depois de muitos anos, a casa
ficou finalmente pronta e, então, quando poderiam
usufruir juntos do sonho realizado, seu marido faleceu.
A vida de D. Violeta tornara-se subitamente vazia,
inútil – a casa, o esforço, a migração. Impressionado
com a história e com o modo muito “literário”
como a havia narrado para mim, perguntei, em tom
de sugestão, se ela nunca havia pensado em escrever
sua história, ainda que fosse apenas para si mesma.
Ela entendeu perfeitamente a sugestão, à qual aderiu
pronta e decididamente. Não me recordo mais se ela
ainda voltou a reclamar alguma vez de demoras, atrasos
etc. Sei que uma consulta nunca mais foi igual à
outra, e eram de fato ‘encontros’, o que acontecia a
cada vinda sua ao serviço. Juntos, durante o curto tempo
em que, por qualquer razão, continuamos em contato,
uma delicada e bem-sucedida relação de cuidado
aconteceu. Receitas, dietas e exercícios continuaram
presentes; eu e ela é que éramos a novidade ali.”
Acerca do Objeto e Pressupostos desta
Reflexão
A narrativa acima é o relato de uma experiência do
autor em suas atividades de assistência médica em
uma unidade de atenção primária à saúde. Abrir o presente
ensaio com esta narrativa tem um duplo propó-
sito aqui. O primeiro deles é buscar, através da narrativa,
uma aproximação, antes de tudo estética, do leitor
ao assunto a ser tratado: o humano e o cuidado
nas práticas de saúde. Trata-se de chamar o leitor a
perceber o tema, antes mesmo de uma aproximação
mais conceitualmente municiada. O segundo propó-
sito é utilizar o caso como guia da discussão, pois o
que na narrativa pode ser mais imediatamente percebido
é substantivamente aquilo que se quer explorar
de modo mais sistemático ao longo do ensaio: alguns
aspectos que podem fazer de um encontro terapêutico
uma relação de Cuidado, desde uma perspectiva que
busque ativamente relacionar o aspecto técnico, aos
aspectos humanistas da atenção à saúde.
Saúde e Sociedade v.13, n.3, p.16-29, set-dez 2004 17
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
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Avaliação nas tutorias e dos portfólios
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Critérios
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1.
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Redação:
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ü Correção
(ortografia e gramática)
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ü Clareza
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ü Argumentação
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ü Capacidade de
síntese
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ü Capacidade
crítica
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ü Originalidade/criatividade
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2.
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Compromisso com as
leituras
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ü Realizou todas
as leituras recomendadas
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ü Agregou
leituras adicionais
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ü Atendeu às
solicitações de resenha no formato indicado
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ü Demonstrou
compreensão e produção de significados
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ü Distingue tema
principal e assuntos secundários
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3.
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Apresentação do
portfólio
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ü Criatividade
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ü Cuidados com a
forma
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ü Organização
(obedecendo critérios de comunicação em “cenários
intelectuais”)
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4.
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Pontualidade e
assiduidade nos compromissos
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ü Respeito aos
prazos de entrega de todas as atividades
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ü Narrativas
preparadas para seleção em cada encontro
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ü Presença nos
compromissos
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5.
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Ética na produção de
conhecimento
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ü Não há plágio
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ü Não há omissão
de citações
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ü Demonstra
respeito pelo outro na narrativa e no desenvolvimento
das ações narradas
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6.
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Implicações e
desdobramentos das tarefas
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ü Há registro de
todas as atividades
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ü As atividades
registradas são acompanhadas de reflexão e
problematização para o campo
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ü Apresenta
proposições e indicações de qualificação do ensino-
Aprendizagem
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7.
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Qualidades de Escuta
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ü Interage com o
sentido da narrativa do outro
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ü Agrega valor e
criação pela apreensão do lido/ouvido
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ü Aceita e
reencaminha (aceitação ativa - coengendramento)
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8.
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Qualidades de Expressão
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ü Faz devolução
de sentido e construtivas
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ü Apresenta
formulações criativas e acolhedoras
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ü Convida à
prática dialógica/da conversação
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