domingo, 31 de maio de 2015

Olá pessoal.
Estou aqui pensando no que escrever sobre a minha vivência no SAMU , são praticamente 15 anos nesta jornada de lutar contra a morte( nem sempre conseguimos) , mas vou tentar relatar alguns fatos que já tive a oportunidade de vivenciar .
Acredito que foi em janeiro  do ano de 2004 ( na época trabalhava na base Restinga extremo Sul ) era por volta das 15 hs ,um domingo tipico de verão , o chamado via rádio deixou bem claro , várias vitimas em acidente de carro x carro estrada do varejão (bairro Lami ) ,cinemática grave  UTI e bombeiros deslocando ou seja a minha equipe seria a primeira a chegar .
O deslocamento foi rápido em torno de 15 minutos estávamos na cena e realmente era grave, sete vitimas , dois óbitos ( fora do veículo foram projetados ) três presas nas ferragens ,uma com amputação de perna e outra com com fratura exposta em tíbia ou seja o caos estava formado.Iniciei com os primeiros suporte de vida e aguardando o apoio .
Foram momentos de muita adrenalina , mas mantendo o controle emocional , os bombeiros chegaram e desencarcerador não funcionou ou seja três vitimas nas ferragens e não tinha o "alicate" hidráulico para cortar a lataria. Apos algum tempo chega outra equipe de bombeiro com o desencarcerador , assim liberando as vitimas.
Neste atendimento tivemos dois óbitos na cena , dois pacientes entubados na cena , uma amputação traumática de membro inferior ,mais dois pacientes com múltiplas fraturas ou seja foi preciso para este atendimento cinco viaturas do SAMU .
O que me deixou marcado nesta ocorrência foram as vitimas , em um dos carros um casal marido e mulher que estavam se deslocando para um aniversário nas proximidades , ela entrou em óbito na cena ele teve a perna amputada.No outro veículo cinco rapazes todos menos que trinta anos e que segundo relato estariam fazendo um ''pega'' com outro veiculo , um foi projetado  fora do veiculo entrando  em óbito na cena os outros três presos na ferragem , um sentado atordoado sem acreditar no ocorrido .
Hoje as leis estão um pouco mais rigorosas no trânsito , mas me pergunto e a incapacidade funcional deste homem que alem de viúvo ficou sem a perna e os familiares deste   jovem que morreu e os outros quatros que levaram meses ate se recuperar quem sabe até com sequelas ficaram.
É claro que isto interessa a todos nos como cidadão é mais ainda como futuros sanitaristas. Quais serão as politicas que iremos implementar ou criar , visando a segurança no trânsito ou reabilitação ou quem sabe, mais primário ainda, qual será o nosso plano de catástrofe? quantos respiradores , quais os hospitais de urgência, quantas equipes disponíveis, articulação com serviço de trânsito e de segurança.
Trouxe este pequeno relato só para pensarmos um pouco da nossa realidade em serviço de Urgência , uma portaria cria o serviço mas quem gerencia somos nos futuros gestores.
Um forte abraço.                    

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